Temple du Verseau
Dégel, the Aquarius Gold Saint from the XVIII century.


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"Mas heim?" o escorpiano franziu o cenho quando ouviu o aquariano com aquele jeito todo mandão. Mal tinha chegado e já queria lhe dar ordens! "Se você acha que eu vou ficar preso aqui…" não terminou de falar e virou o rosto, aborrecido.

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Observou-o sair do quarto e ficou ali, meio fraco, mas incomodado; nos dias que se seguiram à sua crise, Kardia continuou treinando e se esforçando até chegar ao limite de não conseguir mais se mexer. E Dégel podia facilmente imaginar isso conhecendo o grego como ele conhecia—ele não fazia o tipo que se aquietava ou aguentava ficar parado muito tempo. Era do tipo teimoso, inquieto; como uma criança crescida. 

O clima no quarto agora era um pouco mais fresco por causa do gelo de Dégel. Era incrível a habilidade que ele tinha de balancear Kardia—enquanto um queimava o outro esfriava. Era uma oposição perfeita, um elo em pleno equilíbrio. E talvez fosse isso que impedia que essa ligação entre eles, essa ligação especial, se quebrasse um dia.

Dégel ignorou as reclamações, como era de costume para si. Sabia que Kardia não estava em condições, e ele pessoalmente supervisionaria o companheiro para que não fizesse nenhuma bobagem e nem se esforçasse mais do que o necessário. Ah, não. Definitivamente, Kardia iria descansar, mesmo que fosse à força.

"O banho está pronto", ele disse depois de separar as roupas. "É um banho morno, vai ajudar a se sentir melhor", e aproximou-se do grego, passando um dos braços sob suas costas para ajudá-lo a se levantar. Não tinha problemas com o peso, era forte o suficiente para aguentar Kardia sem problema algum. Tudo o que queria era que o outro voltasse à forma saudável "Depois disso você vai comer algo e dormir. Eu vou trocar sua cama enquanto você se banha", explicou, após levantá-lo, e encaminhou-o até o banheiro.

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"Eu estou bem, Pinguim" respondeu quando finalmente encarou Dégel nos olhos ao que ele se afastou. "Cê devia ver como a pirralha ficou, veio aqui e fez o maior escarcéu—"

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Quando estava começando a fazer força para se levantar e se encostar na cabeceira enquanto falava, o escorpiano sentiu uma dor no peito de novo, embora não tão forte quanto as que o acometeram naquela longa e dolorosa semana…

… sem Dégel. Sem o seu francês, o cavaleiro de Aquário. 

"Porcaria" resmungou, colocando a mão no peito, enquanto respirava fundo e voltava a abrir os olhos devagar. "Eu odeio ficar aqui deitado feito um inválido, eu vou sair logo daqui e pronto"

O cotovelo estava apoiado na cama mantendo-o parcialmente sentado; o peito inflava e murchava com rapidez, a respiração não estava num ritmo normal. 

"Você" Dégel franziu o cenho e forçou Kardia a se deitar outra vez. "Vai ficar aí, quietinho, Kardia. Até ficar bem. Você não está em condição de ir contra mim, de qualquer forma. Se teimar, eu posso fazer o favor de te prender na cama com gelo." Franziu ligeiramente o cenho. Não. Não deixaria Kardia se esforçar até que se recuperasse por completo.

"Vou lhe preparar um banho. Fique deitado" E se levantou para caminhar dali até o banheiro, sem esperar por uma resposta. Voltaria depois de um tempo, e separaria uma toalha e roupas. "É um banho morno."

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Não esperava aquele abraço; na verdade, estava preparado para retrucar, para dizer a ele que não tinha culpa nenhuma de estar naquele estado e que não era desse jeito que se tratava um doente. Mas então ele lhe abraçou—um abraço silencioso, mas dolorido, cheio de medos e incertezas. E para alguém como Dégel isso era absolutamente exótico.

"Vamos, não se preocupe" ele disse, finalmente, com voz fraca, enquanto os cabelos esverdeados do cavaleiro de Aquário se espalhavam sobre seu corpo. "Eu não morri ainda…"

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Ele tinha um sorriso bobo nos lábios; um pouco debochado, sim, porque fazia parte de sua natureza, mas ainda assim bobo. Fez força e pousou a mão sobre as costas do aquariano enquanto ele lhe abraçava. Virou o rosto sutilmente para esfregar o nariz contra os cabelos dele e sentir seu cheiro de íris de novo—aquele aroma tão deliciosamente irresistível que só o francês tinha. E a atmosfera ao redor estava fria; Kardia sentiu falta disso. 

"Desculpe…" disse, finalmente, num sussurro tão baixinho que ele teve dúvidas se tinha sido audível.

O rosto do francês se afundou na curva do pescoço quente de Kardia. Os olhos estavam fechados enquanto escutava o que o companheiro tinha a lhe falar. Não era, na verdade, questão de Kardia se desculpar ou não. Aquilo era independente da vontade dele, certo? Mas… não queria (não podia) perdê-lo. Não agora. Não ainda. Os braços se apertaram em torno do outro e as mãos se fecharam sobre o tecido da camisa que ele usava.

"…. Eu vou te ajudar a se cuidar", diria baixo, antes de se afastar.

Dégel jamais fora dado a muitos toques. Ele sempre evitava aquilo, na verdade. Era simplesmente parte de seu jeito. Como um aristocrata francês, sua educação envolvia aquele tipo de coisa, como não demonstrar o que sentia, evitar gesticular, tocar, abraçar. Suas mãos estavam sempre ocupadas com algum livro, seus óculos, ou simplesmente postas para trás. Também havia o fato de que, como Cavaleiro de Aquário, era necessário manter uma distância emocional. Mas… estar com Kardia fazia simplesmente grande parte disso tudo desaparecer. Se sentia à vontade para estar junto dele. E era assim que sempre deveria ser.

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Passou-se quase meia hora até que Kardia fosse finalmente capaz de despertar-se em consciência; ele primeiro moveu os dedos, meio mecânico, e então seus olhos se abriram lentamente. O quarto estava mergulhado numa penumbra conveniente—como ele logo percebeu, e mesmo sem enxergá-lo sabia que Dégel estava lá. Porque somente ele, que dominava o gelo e era considerado frio por muitos, era capaz de ter um cosmo tão quente e acolhedor. 

"…"

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"Oi, sumido…" ele disse com alguma dificuldade. 

Os olhos do escorpianos, sempre tão perigosos e ativos, agora o encaravam com fraqueza; uma fraqueza dolorida, inaceitável, que Kardia odiava admitir possuir. Mas não importava agora—porque era Dégel, porque estava cansado demais pra se fazer de durão, porque a ausência dele tinha doído mais do que ele esperava e porque o medo de partir, de deixá-lo sozinho naquele momento, o encheu de pânico. 

Uma fina camada de gelo tomou conta do peito de Kardia, onde Dégel apoiava a mão, no instante em que ele acordou. Os olhos do aquariano estavam fixos em seu rosto com atenção, e uma seriedade que o grego conhecia muito bem. Mas havia algo severo em sua expressão.

"Não se atreva…", ele começou "A me deixar dessa forma", concluiu, e somente então ele retirou a mão do peito do escorpiano. 

A verdade é que a idéia de perder Kardia enquanto estivesse longe lhe dava uma dor descomunal. Sabia que eventualmente o outro partiria antes de si, mas… Não, não agora. Não ainda, não longe de si. Com esse pensamento, Dégel se curvou e passou os braços em torno do grego, em um… abraço. Um abraço silencioso.

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Kardia estava praticamente inconsciente—os olhos se mantinham fechados, mas uma centelha de cosmo acendia de vez em quando. Mesmo quando a temperatura caiu o escorpiano não se moveu e nem pareceu se manifestar de forma alguma. Ele estava pálido e um pouco suado, tinha uma aparência cansada e um pouco gasta, mas ainda era tinha aquele semblante bonito como o de uma escultura grega.

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"Dégel…" de repente ele falou enquanto apertava os olhos aparentando estar sentindo dor. 

Chamou o nome do companheiro enquanto apertava os lençóis em um movimento débil e totalmente reflexivo; ainda estava inconsciente, mas seu corpo reagia por conta própria em resposta à ausência do outro.

Seus olhos se estreitaram levemente e ele suspirou. Era terrível ver Kardia naquele estado. O escorpião era sempre ativo, sempre alegre… e agora estava ali, incapaz de mover-se direito. 

Os dedos passaram devagar por sua testa, tirando algumas mechas do cabelo azulado dali da frente, e então ele se sentou ao lado do companheiro. 

"Você não deveria fazer isso comigo", sussurrou, e correu a mão até a altura do peito do outro, esfriando-a consideravelmente na altura daquele coração. Coração que precisava desacelerar, que precisava parar de queimar… Se isso passasse de um certo limite, perderia o grego, não é? Tudo o que poderia fazer era oferecer-lhe sua companhia, seu cosmo.  Agora, tudo o que poderia fazer…. era esperar.

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Esteve o dia inteiro na cama—o corpo inteiro doía, era como se tivesse sido esmagado por meia dúzia de carruagens de ferro. Qualquer movimento doía, qualquer mínimo gesto o fazia gemer, e as gotas de suor na testa só denunciavam o quão longo vinha sendo o seu sofrimento. Em momento algum ele pediu ajuda; a jovem deusa Athena até veio ao seu encontro, sentou-se por algumas horas todos os dias para fazer-lhe companhia (ainda que o escorpiano tivesse dito que era desnecessário), mas Kardia permaneceu no mesmo estado.

Disseram que Dégel havia saído em uma missão importante; importante o suficiente para mantê-lo ocupado e longe do santuário por quase uma semana. Tinha sido a maior quantidade de tempo que os dois ficavam separados, que tiveram de quebrar a ligação biológica—não, espiritual, que se estabeleceu entre eles. E justo nessa data, nessa semana infame, Kardia tinha passado mal novamente. E por causa do longo tempo de espera sua condição vinha se agravando cada dia mais.

"…" ele gemia baixo embaixo das cobertas dentro de seu templo.

Quando chegasse, Dégel seria informado do ocorrido logo na primeira casa.

Um suspiro saiu por entre os lábios do aquariano quando Shion de Áries lhe informara sobre Kardia não estar passando bem. Por que essas coisas tinham de acontecer logo quando precisava sair? Era alguma brincadeira do destino, só podia ser.

Não houve agradecimentos por parte de Dégel, ele apenas passou por Áries, e foi subindo rapidamente a escadaria, pedindo permissão a cada guardião para passar. Não teve problemas, pois todos compreendiam o motivo do francês estar com pressa agora. Kardia era seu companheiro, em muitos aspectos diferentes, e ambos precisavam um do outro. Kardia, especialmente, precisava de Dégel para lhe ajudar, pois ele era o único capaz de tirar-lhe a febre e acalmar seu coração.

Chegando em Escorpião, não fez cerimônias para ir até os aposentos internos e até o quarto, enfim, em busca do grego. A temperatura do quarto cairia repentinamente apenas com a presença do aquariano, que parou apenas ao chegar ao lado da cama do outro. E suspirou, tocando-lhe a testa devagar com a mão gelada. Ele estava febril, como havia imaginado.

Frozen Sight

Era final da tarde já quando o aquariano retornava de Rodorio. Precisava, como todos os outros, refazer o estoque de alimentos de seu templo. Portanto, voltava com um cesto feito de palha. Naquele dia, especificamente, não vestia sua armadura dourada - fato raro para alguém tão regrado quanto Dégel de Aquário.

Nunca tinha problemas para passar pelas casas antecessoras, pois todos sabiam que Dégel sempre tinha algo importante a fazer, e raramente deixava o décimo primeiro templo.

Passando por Sagitário, reparou que Sisyphus não estava presente, então apenas continuou seu caminho.

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Ele parou na frente da respectiva casa e buzinou para indicar que já estava ali; pouco tempo depois uma mulher saiu pela porta da frente e se aproximou do grande portão de metal com um sorriso. Parecia feliz em ver o garoto—na verdade, estava muito satisfeita e isso vinha estampado em forma de sorriso na boca dela. 

"Kardia, boa noite" ela disse, abrindo o portão e se aproximando da moto. "Como é bom ver você!"

"Obrigada, senhora Fukushima" ele mostrou um meio sorriso e desceu do veículo, abrindo a mochila cuidadosamente para tirar de lá uma caixinha de madeira bem trabalhada. 

Entregou a caixa a ela (que agradeceu com um sorriso e um aceno), pôs o capacete e subiu na moto de novo. Acelerou e o motor respondeu com um ronco ruidoso antes de pegar no tranco e finalmente permitir que o veículo começasse a andar. 

Embrenhou-se por entre as ruas da cidade, enfiando-se nos becos mais escuros e úmidos, para cortar caminho até em casa. A noite estava fria—e isso só piorava com a ausência do sol, gelando a espiha do grego que não estava vestindo nada além do uniforme da escola. Estava pensando sobre o que tinha acontecido na biblioteca de novo; no quanto aquele novato, Dégel, era interessante. E foi imerso nessas memórias que, ao cruzar uma rua comprida e passar na frente de uma casa enorme e muito luxuosa, que o objeto de seus pensamentos apareceu bem diante de seus olhos.

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"…?"

Ali, se dirigindo até a porta da mansão, ele viu Dégel caminhando calmamente. Carregava ainda seu material escolar, o sol tinha acabado de se pôr. Kardia parou a moto a alguns metros (em um ângulo que o escondia numa penumbra bem conveniente) e ficou ali, olhando pra ele, completamente sem palavras.

O que diabos ele estava fazendo ali?

Aquela parte da cidade era uma parte onde viviam pessoas muito bem de vida. E aquela rua, mais especificamente, abrigava inúmeras mansões luxuosas, e aquela onde o rapaz francês parou diante não era diferente. Seguia um estilo europeu, seus portões eram de ferro trabalhado com um brasão logo no meio. O caminho para dentro era comprido, rodeado de um jardim muito bonito, cheio de rosas e algumas trepadeiras, plantas muito bem aparadas em torno do caminho que dava para aquela casa grande. Havia uma pequena construção perto do portão, e o caminho se dividia em três: um reto para pedestres e dois para carros. O portão se abriu automaticamente logo que o rapaz parou ali diante, e ele suspirou ao escutar um “Seja bem vindo de volta, senhor Dégel”, Kardia escutaria. A voz vinha de um segurança que se retirara imediatamente da pequena construção e fizera uma reverência para o rapaz recém chegado. 

Dégel observou-o e lhe acenou levemente com a cabeça. Por um instante, observou o caminho que tinha a percorrer e respirou fundo, antes de começar a caminhar para lá dentro, enquanto o portão se fechava automaticamente logo atrás de si.

O melhor que tinha para fazer era entrar, comer algo, tomar um banho e estudar… E então enfrentar o dia seguinte de aula.

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Kardia sumiu pelo resto do intervalo— esteve no telhado, deitado, matando o tempo. Quando voltou pra sala até voltou o olhar para Dégel, sempre com um sorriso debochado, desviando a atenção logo depois. Manteve-se em silêncio e só respondia quando lhe era solicitado; apesar de tudo, o grego não era um péssimo aluno, apenas se preocupava em manter-se na média e isso já estava de bom tamanho pra ele. Era péssimo com cálculo, mas gostava muito de História.

A imagem do garoto novato não saía de sua cabeça. Um lapso de lembrança bem rápido, quase instantâneo, daquela cena da biblioteca ficava indo e voltando dentro da sua cabeça, cutucando-o e impedindo-o de se concentrar no ambiente ao seu redor. O sorriso quase gentil que Dégel esboçava ao ler o livro e a súbita mudança em suas feições, o empurrão, a expressão aborrecida estampada na cara. Tudo isso era um enigma para Kardia— e ele adorava enigmas. Eram excitantes. 

Quando o sinal tocou anunciando o fim da aula, o grego esperou que todo mundo saísse para ir despreocupado até o estacionamento; tinha deixado a moto lá, bem no cantinho. Pôs o capacete e montou no veículo, girando o acelerador duas ou três vezes antes de finalmente dar a partida e sair.

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"…" ele se manteve quieto, completamente concentrado na tarefa de pilotar a moto.

Tinha um serviço pra fazer; uma entrega numa casa localizado num bairro rico da cidade. Sua avó costumava fazer doces e ela era bem conhecida por cozinhar muito bem e Kardia concordou em ajudá-la com as entregas. Não cobrava nada por isso, na verdade era uma forma de ajudar em casa além de fazer o serviço doméstico. 

Sua mente corria por vários acontecimentos recentes, alguns problemas pessoais, mas… algo intrigante não lhe saía da cabeça especificamente agora: aquele rapaz desleixado, o grego. Ele viera atrás de si uma segunda vez, lhe interrompera e ainda tivera a ousadia de lhe encurralar. Isso havia lhe irritado mais do que deveria ter acontecido, na verdade. Mas.. não. Não era nada de importante, nada com o que deveria de fato se preocupar. Não queria contato algum com outros estudantes daquele colégio, fora que ninguém de fato iria compreender sua atual situação. Tinha certeza de que se afastariam eventualmente, e por isso mesmo preferia evitar qualquer coisa. Além do que, pertenciam a mundos diferentes.

Ainda por cima, tivera de ir a pé. Isso fazia com que demorasse para chegar, mas… bom, era até melhor assim, melhor do que gerar mais comentários indesejados e ter as atenções voltadas para si por conta de qualquer carro que viesse lhe buscar. E também jamais cogitaria a possibilidade de tomar um transporte público.

Ele andava sem pressa, carregando a mala por cima do ombro. Sentia um pouco de fome, precisava comer logo que chegasse, pois seu almoço fora interrompido, afinal. Bom… Ao estava quase chegando. E ao menos seus pais não estariam presentes.

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Quando Dégel pôs a mão sobre o seu rosto e o empurrou, Kardia largou-o bruscamente e tombou para trás. Derrubou o livro do rapaz que esteve segurando até o momento também. Pôs um pé atrás para se equilibrar e evitar uma queda—iria causar um rebuliço sem tamanho dentro da biblioteca e chamar atenção para os dois, e Kardia queria evitar confusão pelo menos nos primeiros dias de aula. Criou-se então uma distância entre eles, forçada, rasgada, e eles finalmente se separaram.

Ao invés de uma expressão aborrecida, no entanto, o francês perceberia que no rosto do outro havia um largo e expressivo sorriso; era impossível saber o motivo da risada, as reações dele eram completamente fora do comum e ninguém em sã consciência levaria um empurrão e ainda acharia engraçado. 

Mas ele não era qualquer pessoa;

"Huh—" suspirou, rindo, e abaixou-se para pegar o livro que tinha derrubado. 

Empurrou o livro para Dégel o segurasse e lhe deu as costas, virando o rosto sutilmente apenas para encará-lo uma última vez. 

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Depois disso, saiu andando e deixou a biblioteca.

Ele não se moveu para ajudá-lo ou nada parecido. Tudo o que fez foi ajeitar os óculos sobre o rosto e esperou-o se afastar. Certamente que havia observado aquela reação inusitada, e isso lhe chamou um pouco a atenção, mas nada que fosse realmente lhe prender por tempo demais.

Quando Kardia se retirou, pegou o livro e foi devolver ambos aos seus devidos lugares em uma das estantes, e saiu da biblioteca, já que seu almoço fora totalmente interrompido. Infelizmente, teria de passar o resto das aulas sem comer. Nada trágico demais também, porém.

Ao retornar para a sala de aula, tudo era como nos outros dias. Ele foi silencioso até seu lugar, guardou a caixinha onde carregava o almoço dentro da mala e se sentou, abrindo seu caderno. Aquele tempo passou rápido para si, pois se concentrava bastante nas explicações dadas pelos professores e nos exercícios. Quando a aula acabou, ele se levantou com cuidado e arrumou seu material. Saiu como em todos os outros dias também, sem falar e nem olhar para ninguém. Apenas olhou a hora em um relógio de pulso, e voltou a caminhar, um pouco rápido, mas sem correr, para tomar o caminho de casa.